My balls are faster than yours! (NSD Powerball)

July 3rd, 2008

O que é isto?

As bolas do poder (vá, NSD Powerballs) consistem num pequeno giroscópio bem embalado, pouco maior que uma bola de ténis, que, garantem os seus criadores, é o giroscópio de força motriz humana mais poderoso do mundo.

E na verdade, é bem capaz. Estes “brinquedos” começam a ser mundialmente famosos pela sua versatilidade no que toca a exercício físico, e mesmo a nível de competitividade entre os utilizadores.

Como funcionam?

O seu funcionamento é muito simples: com a powerball na mão, basta girar o pulso em movimentos bem regulados e consistentes, para que o giroscópio no seu interior comece a girar. E qual o propósito disto? Bom, na verdade, este giroscópio é capaz de girar até umas impressionantes 16 mil rotações por minuto, o que causa uma pressão de cerca de 25kg… no pulso. O que é uma força inacreditavelmente forte. O mais pequeno descuido e a bola sai disparada como um foguete das mãos mais “escorregadias”.

Para que servem, e como me podem ser úteis?

As powerballs são mundialmente utilizadas para vários fins, sendo que o principal é o exercício físico. Treinadores de ginásios e atletas garantem que é uma excelente forma de exercitar os pulsos, braços, ante-braços, bíceps, tríceps, e ombros, devido à enorme pressão e esforço físico que exigem para serem “agarradas” a altas rotações. São também altamente recomendadas para pessoas com algum tipo de ruptura de ligamentos nos membros superiores, na medida em que aceleram o processo de recuperação.

São utilizadas em alguns ginásios como complemento ao exercício de halterofilismo.

Como é isto possível?

O giroscópio gira consoante a força que lhe conseguimos aplicar; isto é, quanto maior a força e a técnica, maiores serão as rotações, logo maior será a pressão da bola e mais difícil será agarrá-la. Esta força pode felizmente ser medida; a gama média-baixa das Powerballs possui um LCD digital que regista as RPM (actuais, e o valor mais alto registado), bem como o índice de força muscular exercido por sessão. Isto torna-se particularmente útil para um registo do esforço físico, bem como para aumentar o grau de competitividade de uso.

Dado que algumas sessões diárias são suficientes para ver (e sentir) resultados, a confiança em que conseguimos bater o recorde do dia anterior aumenta também. Isto torna o seu uso altamente viciante, na medida em que tentamos constantemente bater o nosso próprio recorde (ou de outros).

E a eficácia?

No primeiro dia que a usei, bastaram 15 minutos para sentir o braço brutalmente cansado, e no dia seguinte mal conseguia abrir a palma da mão. Ora, “no pain, no gain”, e isto foi sinónimo da extrema eficácia deste produto. Uma semana depois, já conseguia atingir 2000 rotações a mais do que no primeiro dia, e a vontade de bater de novo o recorde continua. Na verdade, aqui reside o principal grau motivador da Powerball, dado que promove um vício que é extremamente saudável.

Sem dúvida alguma que trabalham de forma notável os músculos superiores.

E pontos negativos?

Nas primeiras utilizações, a Powerball pode ser algo complicado de se utilizar. É difícil aprender bem o movimento à primeira, e as pessoas menos persistentes podem ver esta situação como algo desmotivante. Como trabalha desde os músculos dos ombros até aos dedos, as constantes dores musculares que se sentem nos primeiros dias podem também levar a que se utilize menos a powerball… Mas novamente, sem dor, não há ganho.

Veredicto!

Com uma garantia de 25 anos, e com um tempo de vida estimado em… bom, mais anos que a própria garantia, a Powerball é um EXCELENTE produto para qualquer praticante de desporto (e inclusivé músicos). Seriamente capaz de aumentar tanto a força muscular como a sincronização física (e mental), não há motivo para não gostar da ‘bolinha que gira’. E mesmo para quem não liga a desporto, pode ser adquirir uma como um party gadget, pelo que promete ser mais viciante do que o tradicional braço de ferro entre homens!

Com preços a começar nos 19 euros, (modelo base), e a terminar nos quase 100 euros dos modelos profissionais, existe uma gama de powerballs para todos os gostos. Uma visita ao site oficial esclarece qual o modelo indicado para cada um. Pessoalmente, recomendo que adquiram uma com o contador de RPM digital, para que seja possível registar a evolução de uso, e claro, aumentar a competitividade.

Karma a arder!

June 21st, 2008

Finalmente, algum tempo livre. A (talvez única) vantagem de se ficar semanas e semanas enterrados em trabalho é poder acompanhar todo o trabalho com música. Muita, muita música. De repente passa a existir toda uma razão para deitar as mãos em tudo o que é peixe, e a vontade de variar é tanta que se acaba por descobrir novas tendências musicais a nível de géneros, que andavam enterradas no nosso âmago.

Não foi o meu caso.

Cheguei no entanto à há muito lógica conclusão que o meu carvão é mesmo o stoner rock. Potente combustível a alimentar apetites de guerra. E, foi com grande entusiasmo, virtualmente orgásmico, que descobri o Doom Sludge Stoner Drone Blog (podia ser mais difícil de decorar, vá!), uma colecção fresquinha de bandas (e álbuns para download) dos ditos géneros presentes no título do blog. E fiquei tão contente como uma criança no Natal, quando vi que a colecção era praticamente perfeita. Nomes como Witchcraft, Dozer, Kyuss, Sleep, Fu Manchu e The Sword marcam lá uma imponente presença.

E como fui eu dar com aquele verdadeiro tesouro pirata? Porque andava à procura de um álbum dos Karma to Burn, banda de stoner/sludge rock, que deste 1997 a 2001 nos brindou com três brilhantes álbuns do género.

O self-titled “Karma to Burn“, de 97, é o primeiro e único álbum da banda com vocais. Distintamente o mais leve dos três, mas ainda capaz de conciliar a voz desértica de William Mecum com a punjança das guitarradas que encontramos, por exemplo, em Mt. Penetrator.

A sonoridade assemelha-se a uma mistura de Witchcraft com The Sword, e apenas referencio este último pelo aroma de Metal que nos é oferecido. Este álbum oferece-nos ainda uma deliciosa versão da Twenty Four Hours dos Joy Division, que quase consegue ser mais negra que a original.

Mas é dois anos depois, com o Wild, Wonderful Purgatory, que conhecemos os verdadeiros KtB. Distinguir faixas neste LP é complicado, já que os nomes de todas as músicas são números por extenso completamente desordenados.

Num total de 12 faixas completamente vívidas de baterias e guitarradas frenéticas, já encontramos uma ambiência à lá Kyuss verdadeiramente apetecível. Os vocais ficaram pelo caminho, mas na verdade, não sentimos a falta deles. A prova disso está na na faixa “Seven“, que não é nada mais que uma versão instrumental da “Mt. Penetrator” do álbum anterior. No entanto, soa de um modo brutal.

O terceiro álbum, lançado em 2001, dá pelo nome de Almost Heathen e segue a mesma receita do antecessor. Sem surpresas, sem novidades, mantém-se à altura do anterior, embora talvez com menos algum carisma.

Infelizmente, Karma to Burn foi uma banda que ficou por ali, devido à saída do baixista Rich Mullins em 2002. Apesar do pouco reconhecimento externo, KtB merecem o seu lugar no pódio do movimento Stoner.

7/10 para o primeiro álbum, 8,5/10 para os seguintes.

Estatísticas de um musicólico

June 6th, 2008

Há cerca de ano e meio atrás juntei-me ao LastFM, sem na altura fazer qualquer ideia do quão viciado me viria a tornar neste site/aplicação. E, na altura, também não imaginava que as minhas preferências no que toca a música variassem tanto desde então.

Viciado em estatísticas como sou, partilho aqui as minhas em relação ao que ouvi nestes últimos 18 meses.
Actualmente, eis o meu top 30:

1 Play The Cure
1,726
2 Play The Smiths
1,373
3 Play Depeche Mode
1,266
4 Play The Divine Comedy
1,116
5 Play White Rose Movement
1,028
6 Play Ramones
906
7 Play Pink Floyd
852
8 Play Jeff Buckley
814
9 Play Morrissey
791
10 Play The Mars Volta
759
11 Play Joy Division
735
12 Play Elliott Smith
686
13 Play Led Zeppelin
662
14 Play The Jesus and Mary Chain
602
15 Play New Order
587
16 Play Screaming Trees
572
17 Play The White Stripes
537
18 Play The Libertines
525
19 Play David Bowie
510
20 Play Buzzcocks
505
21 Play Editors
479
22 Play Pulp
458
23 Play She Wants Revenge
452
24 Play The Replacements
440
25 Play The Clash
437
26 Play The Stone Roses
424
27 Play The Mary Onettes
416
28 Play Mark Lanegan
406
29 Play Deep Purple
374
30 Play Wipers
372

E uma recomendação light para o fim de semana, sugiro que ouçam o trabalho a solo de um dos mais fantásticos vocalistas de toda a história do Rock; Glenn Hughes, o homem que emprestou a voz aos Deep Purple. A receita para uma noite bem passada :)

Crash Tests, carnificina gratuita!

May 24th, 2008

Prometi-me a mim mesmo quando criei este blog que não seria daquelas pessoas que faz um post apenas para mostrar vídeos do YouTube, mas… desta vez não resisto. É mais forte do que eu :)

O que eu pretendo mostrar é uma pequena compilação de crash-tests, automobilísticos e não só, capazes de assustar o mais cuidadoso dos condutores. Apesar da espectacularidade destes embates, que nos sirvam como alerta da violência gerada por um acidente automóvel.

Parte 1:
(atentem na velha carrinha vermelha… e pensem duas vezes antes de comprar uma!)

Parte 2:

(destaque para a rigidez do pequenino Smart)
E uma prova viva que nem todos os carros antigos são inseguros; esta velha Mercedes break revela uma durabilidade de fazer inveja a qualquer Mercedes dos tempos modernos. Sim, mesmo quando um Monster Truck lhe passa por cima :D

E é tudo, por agora.

Cover Project; o projecto das cobertas!

May 18th, 2008

Não, não são realmente cobertas. Tratam-se de covers musicais. Um passatempo recente que promete durar, pelo menos enquanto existirem os meios e a paciência.

Tudo começou ainda há menos de um ano, quando decidi procurar por artistas que tivessem feito covers musicais dos Joy Division e dos The Smiths. Estava especialmente concentrado nestas duas bandas, pois pareciam-me ser alvos fantásticos de “cópias” por parte de outros pequenos e grandes artistas.

Pelo meio, fui encontrando algumas igualmente interessantes, umas que já conhecia, outras que nem por isso. Parte delas gravadas em estúdio, outra parte em concertos, umas mais raras e outras que difícil é acreditar que são covers. E juntando à pequena colecção que já tinha inadvertidamente guardada, a lista foi aumentando.

E hoje, apesar de não ter muito tempo nem juízo para continuar à procura, decidi compilar uma lista (quase final!) do material que já tenho. Devo agradecer a duas pessoas em especial, que ainda me ‘doaram’ uma parte considerável de faixas interessantes.

Ainda faltam umas quantas covers feitas pelo Mark Lanegan e um álbum inteiro pelos The Misfits, mas adicionarei esses mais tardes. Para já para já, fica aqui a listinha. :)

Clicar no link abaixo para ver a lista completa!


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Recomendação semanal #3

May 4th, 2008

$ Música
E esta semana, dose reforçada! Dois álbuns, pelo preço de um! Infelizmente, ainda não deu para as recomendações de outros media. Para breve, caríssimos, para breve.

The Atomic Bitchwax - III

Formados em 1993 no meio de nenhures dos Estados Unidos, os (The) Atomic Bitchwax, quase poderiam ser incluídos no grupo de pioneiros do Stoner Rock, se não tivessem lançado o primeiro álbum apenas em 1999. Na verdade, apesar de serem encaixados nesta categoria musical, não significa que corresponda inteiramente à verdade auditiva.

A constante partilha de membros com os Monster Magnet influenciou directamente o seu estilo, que se demarca essencialmente como pseudo-metal progressivo, que é como quem diz, Hard Rock.

O seu terceiro álbum chama-se, convenientemente, III, e é uma pequena obra-prima para os fãs mais leves do (bom!) rock/soft metal americano. De guitarradas consistentes, voz algo amorfa mas distinta, este álbum de 2005 é um excelente impulsionador do leve headbanging enquanto se lava a loiça. Ou outra coisa qualquer. (7/10)

The Atomic Bitchwax - III - Stoner Rock / Soft Metal / Hard Rock - 2005

The Raconteurs - Consolers Of the Lonely

O que acontece quando Jack White se farta dos seus White Stripes? Junta-se com um grupo de velhos amigos (incluíndo o compositor Brendan Benson) e forma uma nova banda, paralela à original e ao mesmo tempo, diferente.

A brincadeira começou em 2005 e deu frutos no ano seguinte, com a estreia de Broken Boy Soldiers. A sonoridade era propositadamente crua, bem ao estilos dos já sólidos britânicos “The Kills“, com as tendências de Garage Rock e Blues Rock a romper por uma acústica algo eléctrica e frenética.

Dois anos depois, e já com a tour de Icky Thump mais do que revisitada, o grupo de old-timers (facto bem patente na capa do álbum) rematam com o segundo lançamento Consolers Of the Lonely, para um público sedento de mais febre branca.

E com alguma surpresa encontramos neste segundo lançamento a essência do garage rock, mas mais polido. Ao longo de catorze faixas ora batemos o pé ao som das batidas punjantes de Patrick Keeler, ora baixamos a cabeça de remorsos com romarias de amor que nos lembram o porquê do título do álbum.

A combinação funciona, no entanto, e Consolers Of the Lonely facilmente se coloca à frente do álbum de estreia, facilidade essa com que nos dá vontade de repetir cada faixa e absorvê-la cada vez um bocadinho mais. De absorção rápida, Jack White prova uma vez mais as suas valências musicais e de composição. (7.5/10)

The Raconteurs - Consolers Of the Lonely - Garage Rock/Blues Rock/Indie Rock - 2008

Saudosismo

April 26th, 2008

Ultimamente tem-me dado uma avassaladora vontade de rever um sem número de séries televisivas que me marcaram o passado, seja este mais, ou menos recente. A cada uma delas ainda consigo associar perfeitamente um estado psicológico, uma panóplia de emoções, e até mesmo pessoas a quem relacionava os eventos das séries, da altura.

Atinge tudo como um estranho reviver do passado. Épocas diferentes, sentimentos distintos. Até chego a arranjar séries/filmes que não me disseram muito na altura, mas quero-os apenas porque os associava a alguém/algo.

Eis alguns exemplos,

A série “Frasier“, com o carismático Dr. Frasier Crane. Via esta série entre 2000 e 2002, e sempre ao Domingo. Aliás, Domingo não era Domingo sem Frasier, até porque esta série tem mesmo um ambiente de final de semana. Ou então, digo isto apenas porque já a associei demasiado a este dia.

Estou de novo a acompanhar a série desde a primeira época, e ainda percebo perfeitamente o porquê do sucesso da série. Genialíssima com o humor tradicional, a atmosfera rústica e sofisticada confere uma camada de cumplicidade notável para com as personagens.

Desde muito pequenino que acompanhava a série “Family Ties“, ou na versão portuguesa, “Quem Sai aos Seus“. De facto, a atracção que possuo com esta série está de tal forma vinculada que cada vez que apanhava um episódio no ar, era impossível deixar de o ver, mesmo já sabendo metade das falas de cor.

Talvez tenha sido da infância, mas a verdade é que o propósito da série cumpriu o seu objectivo comigo, e a família Keaton foi sempre a minha segunda família preferida de sempre. Ainda que fictícia, claro está. Basta-me ouvir o genérico para retroceder 11 ou 12 anos com grande saudade.

Ainda hoje das minhas séries preferidas da toda a história televisiva. Seinfeld ainda marca os meus fins de semana com grande saudade, quando apanho re-runs na Sic Radical. Conheci a série ainda novo, num verão quentíssimo de 2001, e ainda associo cada episódio a essa mesma época. A atmosfera, o cenário, tudo aquilo que é à primeira vista reconhecível em Seinfeld remete-me para esse Verão em que derreti toda a série de uma longa assentada, que se repetiu várias vezes nos anos seguintes.

Sem dúvida das mais geniais séries de comédia de todos os tempos, em que cada episódio representa uma verdadeira caixinha de surpresas a nível de personagens e argumento. Seinfeld é, ainda hoje, um dos meus grandes heróis.

Quase nem preciso de falar sobre esta série. Lembro-me vivamente de assistir, todos os dias religiosamente, a episódios de Tom and Jerry, enquanto esperava que chegasse a hora de saír para a escola, entre a minha primeira e quarta classe.

Desde entáo, esta série tem um efeito magnético brutalíssimo nos meus actos de nostalgia compulsiva, tanto que me obrigou a procurar todos os episódios e a revê-los calmamente sempre que há o tempo. Dou por mim a achar a mesma piada aos eventos da série que achava há 15 anos atrás, e se isso não é amor, não sei o que será. Lembro-me muito bem de discutir os episódios com amigos de escola, até porque tenho feito isso até… aos dias de hoje!

Em alturas de maior desconsolo, esperava ansiosamente por me conseguir refugiar em Blackadder, uma série dos anos 80 que protagonizava o nosso querido Rowan Atkinson (Mr. Bean) e o carismático Hugh Laurie (Dr. House). Apaixonado pelo ambiente medieval das primeiras épocas, a minha distorcida interpretação da personagem Blackadder deliciava-me a mente, enquanto o contorcido sotaque britânico me aquecia os ouvidos. Não tenho grandes dúvidas que a minha paixão pelo humor britânico tenha nascido graças a esta série.

Mesmo mais tarde, com o desenrolar da história a saltar da idade média para a época da Grande Guerra, o ambiente cativava-me e fascinava-me como nenhuma outra representação. A minha identificação com as personagens era de tal forma alta que Blackadder era a série ideal para curar um mau dia na escola.

A lista não se fica por aqui, mas o meu tempo sim… por isso acho que vou preenchendo esta lista saudosista a pouco e pouco, à medida que me for recordando de mais :)

Digam de vossa justiça, o que vos marcou a vossa infância! :D

Live for Speed - “a” simulação!

April 24th, 2008

Não, não é Need for Speed. É mesmo Live for Speed, e tem sido o meu pequeno vício desde há cerca de dois anos para cá. É verdade, eu praticalmente não tenho tempo para jogar, e francamente, nem paciência. Mas quem me conhece já sabe que eu sou doido por qualquer coisa que seja simulação - e especialmente simulação automóvel. Daí que é completamente impossível ficar indiferente ao Live for Speed.

Live for Speed (LFS) é um jogo de simulação automóvel, e reforço a palavra “simulação“. Não existe lugar para o arcade, apenas a física pura e dura de um veículo sobre o asfalto. Mas o que torna este simulador diferente de todos os outros?

Este jogo está em desenvolvimento há já alguns anos, penso eu que desde 2002. Ora, como tal, este não é o típico jogo que passa um ano a ser programado, é lançado e depois esquecido. Este jogo está há muitos anos a ser pensado e melhorado, e tem-no feito muitíssimo bem. O ponto forte do jogo é precisamente a física, que é assustadoramente real. Não estou a exagerar, é mesmo muito aproximada da realidade. É inclusivé possível ver todo o jogo de forças a actuar em tempo real enquanto jogam, o que até poderia servir perfeitamente como alvo de estudos de alunos de Física.

Quanto ao jogo em si, possui as duas componentes online e offline, sendo que na offline existe uma inteligência artificial contra a qual podemos competir. Existe um vasto leque de automóveis, das mais variadas categorias, embora não existam licenças oficiais (áparte dos fórmulas da BMW). Quer isto dizer que não vão encontrar marcas reais, mas sim modelos aproximados de carros existentes (desde o mini, passando por um possível Punto, um Celica, uma mistura de Ferrari e Porsche, kartings, fórmulas e carros de turismo).

Cada veículo possui uma física completamente distinta do anterior, o que torna cada um uma experiência única. É quase como jogar um jogo inteiramente diferente. Por exemplo, é muito diferente conduzir um carro de tracção às rodas da frente, de um às quatro, ou um carro com turbo face a um sem turbo. Estas diferenças sentem-se na pele, e obrigam-nos a remodelar toda a nossa estratégia de jogo.

Um outro ponto forte do jogo é a customização mecânica: é virtualmente possível alterar todos os parâmetros do carro, onde efectivamente se nota cada diferença, cada pormenor alterado. Passando pela altura/dureza/absorção da suspensão (o jogo entre estas três é absurdamente realista), o rácio de cada mudança, pressão e tipo de pneus, brecam das rodas, tipo de diferencial, força e distribuição de travagem, todos estes parâmetros afectam verdadeiramente a experiência de condução, não existindo apenas para o faz-de-conta. É realmente necessário conhecimentos básicos de mecânica para poder alterar as propriedades das várias máquinas do jogo. No entanto, para não assustar os mais principiantes, existem já alguns setups pré-feitos que o utilizador pode aplicar ao veículo.

Existem ainda pormenores fantásticos de simulação durante o jogo. A temperatura dos pneus altera notoriamente a condução, bem como o desgaste dos mesmos. O pouco cuidado com a caixa de transmissão pode levar esta a queimar, reduzindo drasticamente a potência do carro, o valor a que se deixa encher o turbo nos arranques é crucial para bons tempos, o estado da suspensão, etc. Os danos existem, e fazem-se notar quer a nível mecânico quer a nível visual.

Na verdade, a física realista não se aplica apenas ao carro, mas a todo o ambiente que o rodeia. Quer isto dizer que não existem limites para o que pode acontecer; um acidente tanto pode correr bem e manter o carro em pista, como pode fazer o carro voar 200 metros varrendo tudo o que encontra pela frente. Pessoalmente, os acidentes que este jogo permite são dos mais espectaculares e realistas a que já assisti.

Os modos de jogo, é a utilizador que os cria na pista. Dependendo do circuito, carro e setup escolhido, é possível fazer corridas dignas de simuladores dedicados de rally, fórmula 1, turismo, e drifting. O gozo que cada tipo de condução proporciona é suficiente para nos manter agarrados, mesmo que joguemos sozinhos.

O próprio jogo em si também é altamente customizável; é possível alterar as câmaras com todos os parâmetros visuais possíveis (rotação, translação, e até ângulos de visão). O som é 100% personalizável, podendo até jogar apenas com o som do turbo e dos pneus. A língua portuguesa também marca presença no pacote de línguas do jogo.

Os gráficos não são da mais alta qualidade, mas são bons. Em contrapartida, permite que o jogo corra com muita fluidez mesmo em máquinas mais antigas. A não necessidade de instalação do jogo também aumenta a sua compatibilidade entre máquinas.

É impossível transmitir o poder de simulação e realismo deste jogo por palavras. Recomendo vivamente uma visita ao site oficial e que retirem uma demo jogável do LFS, e que lhe dediquem algum tempo. Existe, no entanto, um ponto negativo… este jogo vai fazer com que apaguem e deitem ao lixo todos os outros jogos de automóveis que tiverem. Toda a atenção e espanto que dedicava ao Toca Race Driver, GTR 2, rFactor e afins, foi completamente ultrapassada pelo LFS. Mais nada chega minimamente perto da qualidade desde jogo, a todos os níveis.

Além disso, a equipa promete continuar a desenvolver e a melhorar este título, pelo que ninguém consegue adivinhar as maravilhas que estão para chegar que tornarão este jogo no mais perfeito (e único) verdadeiro simulador de condução. (senti-me obrigado a comprar um conjunto de volante/pedais apenas por causas do LFS).

Certamente não mencionarei um jogo (actual, pelo menos) tão cedo aqui no blog, visto que já me deixei desse mundo há muito tempo. Mas era tortura deixar o LFS de fora. É simplesmente delicioso.

Ubuntu 7.10 - Um CD “vivo”!

April 18th, 2008

Desde há alguns anos que guardo sempre na minha mala do portátil um live CD do Ubuntu, uma das mais famosas distribuições do Linux. Já me salvou a pele algumas vezes, quando o Windows XP se decidia a não arrancar e eu necessitava de arrancar dados de lá para fora. E hoje recebi, finalmente, duas cópias originais da nova versão deste fantástico sistema operativo!

Conversas geeks à parte, até porque eu não percebo rigorosamente nada de Linux, recomendo a toda a gente que sobrevive submissa à Microsoft que descarregue uma imagem do software no site oficial, ou que façam como eu e peçam uma cópia original por correio. Ambas as opções são completamente gratuitas.

Para quem não está a par do conceito de um Live CD, este é tal e qual o vosso CD/DVD de instalação do Windows, à excepção que não precisa de ser instalado para ser executado. Quer isto dizer que não precisam de instalar um único ficheiro de Linux no vosso PC para o terem a funcionar, porque este corre directamente do CD (é mais lento, obviamente, mas dá-vos a possibilidade de o testarem livremente).

É inclusivamente possível ter um PC formatado, sem qualquer sistema operativo, e correr o Ubuntu directamente do sistema, já que este não interfere com mais nada.

As possibilidades? Bom, mesmo que não haja interesse em explorar o Linux, este sistema permite aceder a todos os ficheiros do vosso disco, corrê-los e guardá-los em discos/pens mesmo que o vosso Windows não esteja a funcionar. Muito útil para quando o bicho dá o berro e precisamos urgentemente de recuperar documentos! Possui ainda um editor de imagens, texto, folha de cálculo, base de dados, jogos, browser (suporte para Wireless), impressoras, leitor de mp3, vídeo, etc.

Como tal, é conveniente ter sempre um cd à mão. Podem fazer o download aqui, ou encomendar os cds gratuitamente aqui.

Recomendação semanal #2

April 13th, 2008

$ Música

Bonnie Prince Billy - Master and Everyone (2003)

Era uma vez um rapazinho, há meia dúzia de anos atrás. Estávamos em 2002, e eu tinha sofrido uma reviravolta musical de todo o tamanho por ter conhecido os The Divine Comedy. Uma valente chicotada. Não compreendia o que se tinha passado ali, porque raio deixara eu o meu rock/punk comercial americano e passado a querer ouvir… algo mais. Entretanto, ainda sem perceber a penosa transformação, caíu-me nas mãos um álbum do Bonnie Prince Billy.

Quando hoje olhamos para trás, bem ao início da nossa adolescência, arrependemo-nos de praticamente todas as decisões que tomámos, mesmo as decisões relativas a gostos. Um filme, um álbum, uma pessoa. Mesmo que estas decisões erradas tenham sido importantes à sua maneira (aprendemos com os erros, desde que… bem, não nos matem), elas estiveram lá, e hoje a maioria são para nós incompreensíveis.

Hoje penso nesses dias e considero honestamente que ouvir Bonnie Prince Billy, na altura, foi das poucas decisões que tomei que não me arrependo, e compreendo perfeitamente a necessidade que tive de o fazer. Há momentos que nos definem o carácter, e ajudam a construí-lo. O senhor Will Oldham, de seu verdadeiro nome, (e também side-project musical), moldou-me a raíz de pensamento que hoje, alternadamente, me orgulho de e amaldiçoo.

Em 2003, ainda um moçoilo de mente confusa e algo perturbada, totalmente vestido de negro e de cabelo a romper as pestanas, fui vê-lo na sua estreia em Portugal num concerto pequeniníssimo, aqui perto. O homem transpirava sabedoria, confiança, e proporcionou-me uma noite de descanso psicossomático de fazer inveja a qualquer monge do século XVIII. Puramente zen.

Com semelhanças líricas face a Johnny Cash, BPB traça perfeitamente a separação. A voz é sábia, suave, e esconde uma melancolia perfumada em palavras melodicamente trágicas. E, apesar disso, o seu efeito é de uma pura lavagem ao espírito, equivalente a um par de bofetadas ao mais bêbado universitário. Não encaixando directamente na categoria de Country, Bonnie Prince Billy remata directamente para o acústico, embora polido.

O coração é, obviamente, o principal tema, embora por vezes cruel à boa maneira americana.

I See a Darkness“, de 1999, é um atentado ao optimista. Brutalmente negro, pessimista e ao mesmo tempo reconfortante, sabe às historinhas de antigamente que o nosso avô nos contava, e das lições que aprendíamos. A sensação equivale a conhecer o mundo, sem o experienciar. O lado mais negro, claro está.

A verdadeira surpresa, e a verdadeira recomendação, foi e é “Master and Everyone“, em 2003. Significativamente menos obscuro, é reconfortante a impressão positiva que nos é transmitida desde o princípio da primeira faixa. Capaz de ensinar o “bê-á-bá” do amor ao mais apático ditador, Master and Everyone é no seu todo uma das mais importantes lições imprescindíveis a toda a criatura. Com algumas colaborações vocais capazes de derreter manteiga, mais nada se poderia pedir.

Infelizmente, a minha época para este senhor já terminou. As lições já estão intrínsecas, e ouvir novamente estes álbuns é um estranho revisitar do passado que não sinto a menor vontade de saborear de novo. Apesar disso, ainda guardo com bom gosto cada passagem de cada faixa, cada timbre de voz. E acompanham-me no dia-a-dia, escondidas e enterradas sob camadas frescas de nova cognição.